Meditação - Apostila 1

    Meditação - Apostila 1

     

     

     Em 1997, quando escrevíamos a apostila 53 da série Mediunidade, informamos que estava em nossos planos editar apostilas voltadas para o tema Meditação, pois que este assunto, se revestindo de grande relevância para a concretização do equilíbrio interior da Criatura, merecia comentários mais detalhados.

     

    Muitos anos se passaram e somente agora vimos de nos sentir em condições para realizar es-te feito.

     

    Naturalmente, como se deu com as demais séries, o crédito desta realização recai, em maior parte, sobre Aqueles que das dimensões espirituais, incansavelmente, trazem inspirações a este, pouco versátil, anotador.

     

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    As digressões sobre a importância de se adotar o hábito da meditação se encontram nas apostilas 52 e 53 da série Mediunidade.

     

    Nesta série abordaremos o esclarecimento da metodologia que, pessoalmente, adotamos para nosso uso. Porém, que fique bem claro, aqui o apresentamos unicamente na forma de sugestão, porque, como ficou grafado na apostila 53, não existe um método padrão meditativo que sirva para todas as pessoas.

     

    Naquela apostila dissemos: “Em linhas gerais esse é o exercício que podemos chamar de pre-paratório. Como bem informamos na apostila 52, não existe um método que sirva para todos e que, invariavelmente, possa ser usado por todos os tempos. Não se trata de repetir orações como é popularizado nas religiões exotéricas. Cada pessoa, no propagar de seu desenvolvimento, irá adaptando-se às circunstâncias espirituais que a envolvam. E estas são particularíssimas, tanto quanto as impressões digitais das mãos.”

     

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    Método das Tres Etapas

     

    1ª Etapa – Fase do Leão faminto

    2ª Etapa – Fase da Borboleta errante

    3ª Etapa – Fase do voo da Águia

     

    Antes de, propriamente, passarmos à exposição do que estamos chamando de Método das Tres Etapas, nos parece proveitoso um comentário sobre como veio sendo feita nossa adaptação à meditação.

     

    Inicio dizendo que, desde a mais tenra infância sentia aversão pelas obrigações de frequentar os templos católicos, embora que tenha sido esta a educação religiosa direcionada por meus pais. Apesar desta aversão, ao início de minha vida adulta tive participação em instituições protestantes que, então, embasaram, ainda mais, a aversão sentida por cerimonialismos e condicionamentos pastorais. Com a figura abaixo represento essa intermediação imposta ao povo pelas instituições religiosas, onde criaram barreiras psicológicas “separando” a criatura de seu Criador.

     

     

    Conscientemente, não me era aceitável comungar com os tradicionalismos impostos goela abaixo, sem que se pudesse contestá-los. Parecia-me um absurdo, como mais tarde se comprovei, que, para dirigir-se ao Divino, só se poderia faze-lo via intermediação sacerdotal. Contudo, apesar da aversão, foi uma experiência válida, como tudo na vida, pois, assim, pude conhecer, por dentro, as duas vertentes do cristianismo, dirimindo, de vez, as dúvidas quanto à validade de se crer em Cristo na forma eclesiástica como é divulgada.

     

    Fundamentou-se em mim, então, a certeza de que Cristo não é o que, sacerdotal e pastoralmente, (Catolicismo e Protestantismo) pregam a seus seguidores. Esta certeza mostrou-me que essa forma de pregação o foi instituída, desde os milênios contados no calendário d.C., pelo interesse de grupos sacerdotais em controlar as massas, e, desse controle, amontoar riquezas.

     

    Afastei-me, definitivamente, dos templos tradicionalistas e sempre querendo saber mais fui ao encontro das letras espiritualistas, iniciando pelo Espiritismo.

     

    Este primeiro degrau abriu-me amplo horizonte que, contudo, não me satisfez de todo. Aproveitei-o bastante, e a ele sou imensamente agradecido.

     

     

    Mas havia, ainda, muito a percorrer nessa trilha do espiritualismo. Seguindo em frente encontrei a Teosofia que alargou, ainda mais, o horizonte anteriormente atingido.

     

    Com estes horizontes pude comprovar que a separatividade ensinada nas igrejas católicas e protestantes era mero conluio de interesses de grupo. Era a ambição pelo enriquecimento e o domínio das massas. Comprovei que não há separatividade entre a criatura e seu Criador, como, também, entre todos os seres e, mais além, entre todos os reinos existenciais. Tudo é o TODO, único e indivisível. Apagam-se, assim, como vemos na ilustração acima, as figuras dos intermediadores, sejam eles quem for.

     

    A partir daí as etapas foram se sucedendo quando, então, despertei-me para o interesse na meditação, pois estava concluído que tudo aquilo que, religiosamente, ensinam que somos criaturas separadas de Deus – do Criador – é a mais infame das falácias.

     

    Não somos criaturas separadas do Criador, mas Nele temos nosso Ser, e Ele está em nós !

     

    O Divino se encontra conosco mesmo, ao mesmo tempo que nos encontramos no Divino.

     

    Mas como perceber isso se nossos sentidos estão voltados, só, para a matéria ? Foi quando entendi que a maneira de despertar a percepção para o Divino seria através da prática da meditação.

     

    Compreendi que, desejando comunicar-me com amigos distantes faço uso do telefone, da internet, ou via cartas, mas que estes meios são ineficazes para contatar o Divino. Compreendi que estando no Divino, e Ele em mim, os meios exteriores de comunicação se tornavam inoperantes.

     

    Compreendi que eu precisava passar por uma cirurgia. Uma cirurgia interiorizativa, pois que, se um cirurgião para debelar males em meu organismo rasga, com o bisturi, a capa exterior de meu invólucro corporal alcançando o órgão enfermo e nele processando o reparo necessário, teria eu, também, de “rasgar” esta carapaça exterior de preconceitos e alcançar meu interior consciencial adormecido, e desperta-lo para seu fim precípuo.

     

    Compreendi que só um método cirúrgico poderia oferecer a solução desejada: Meditação. Muito diferentemente do que houvera aprendido na infância e no início da vida adulta, através de rezas ou orações. Não era o falar, o exprimir petitórios ou lamentações, mas era o SENTIR. Era o VIVER, interiormente, a imaginação, possível, do Divino.

     

    E busquei apreende-la.

     

    Iniciei, creio, como acontece com todos os iniciantes em meditação. Sentava-me à moda oriental, posição chamada de lótus, pernas cruzadas para dentro, pés entrelaçados, com as mãos sobre os joelhos, voltadas para cima, tendo os dedos polegar e indicador unidos em círculo.

     

    Mas, essa postura não me era confortável e, embora tenha insistido por largo tempo em condicionar meu corpo a ela, o incômodo que me causava interferia no controle da mente.

     

     

    Então pensei: Por que me obrigar a um método de permanecer numa posição corporal se está interfere negativamente nos resultados que busco encontrar na meditação ? Ora, essa postura pode ser bem experimentada por alguns, mas não me sinto bem com ela. Além do mais, para sentir o Divino – uso da mente – será, mesmo, necessário uma postura especial ? Uma postura especial para este fim não é o mesmo que voltar a procedimentos religiosos como os já vividos no catolicismo e no protestantismo ?

     

    Convencido de que para sentir o Divino não é indispensável uma postura corporal especial, passei aos treinamentos sentado numa cadeira.

     

     

    Ainda assim, após certo período de tempo, sentia-me desconfortável, bem como, os ruídos da cidade interferiam bastante.

     

    Novamente voltei às avaliações. A posição, sentado numa cadeira por tempo longo ainda se mostra incômoda; o barulho da rua – neste mundo de automóveis e de grande velocidade” como diz a letra de uma música italiana – perturbava sensivelmente.

     

    Veio, então, a idéia salvadora: Meditar deitado. Mas isso não anulava a interferência dos ruídos da rua e, com o corpo cansado do trabalho do dia, logo vinha o adormecer.

     

    Insisti, por algum tempo nessa postura deitado, mas os resultados não foram animadores. Algo, todavia, começou a acontecer.

     

    Todas as madrugadas, lá pelas três horas, me via acordando.

     

    Passei a observar que o entorno estava silencioso. A cidade adormecida, os veículos em suas garagens – silêncio - e o corpo descansado pelo primeiro sono, proporcionavam o momento adequado á busca interiorizativa.

     

    Aquele era o momento para se fazer a meditação!, descobri.

     

    Descobri que não havia inconvenientes em faze-la deitado pois, com o corpo descansado, não iria adormecer, involuntariamente, enquanto a mente fazia seus vôos por encontrar o Divino em mim mesmo.

     

    Esta posição se revelou, mesmo, adequada para mim, porque, alguns anos mais tarde, sofri um acidente tendo, pela parte mais grave, fraturado a coluna lombar.

    Foram semanas hospitalizado, deitado de costas, sem mover-me. Aproveitei, ali, para aprimorar a meditação.

     

    Assim, acostumei-me. Estabeleci - para mim – a postura corporal deitado de costas com os braços ao longo do corpo apoiados ao colchão.

    Acabaram-se os inconvenientes... isto é, quase. O controle da mente ainda não estava efetivado.

     

    E aqui se inicia a primeira fase do Método das Tres Etapas: O Leão Faminto.

     

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    Mas falaremos disso na próxima apostila.

    Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil

    07 de Dezembro de 2011

     

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