Meditação - Apostila 2

    Meditação - Apostila 2

        

    Na primeira apostila o comentário versou sobre minha inicial adaptação, ou formulação, de um método que, fisicamente, me fosse suportável.

     

    Possivelmente, algum(a) leitor(a) poderá argumentar que de toda a literatura conhecida, bem como das escolas espiritualistas os ensinamentos indicam que a meditação deva ser feita com a postura corporal de Lotus.

     

    Não discordo, porém, como ficou registrado anteriormente, eu não consegui me ajustar a essa posição.  Mas não seria por isso que eu iria abandonar os preparativos.  Fui, então, fazendo experimentos noutras posições até que, com a posição deitada, conciliei meus interesses.

     

    Todavia,  cada  candidato(a)  deve procurar acostumar-se à postura corporal que não lhe perturbe a indispensável serenidade mental.  Também não deve se sentir, por isso, desvirtuando orientações vistas em literatura ou em alguma escola.

     

    Meditar não é seguir cerimonialismos religiosos nos quais todos os adeptos mantêm as mesmas posturas corporais, efetuam idênticos movimentos, ou recitam frases instituídas.  

     

    Meditar é a autêntica e espontânea expressão do EU efetuada no ambiente físico, na forma que melhor convier ao praticante, através  do aquietamento das funções corporais de exteriorização, pois o EU se expressa via Mental, de forma cada vez mais intenso quanto mais aquietado estiver o corpo físico.  

     

    Portanto, que cada praticante se sinta livre para sua livre escolha.   Seguindo, vejamos o:

     

    O Leão Faminto

     

    Verifico, pelos depoimentos, que com todos os iniciantes na arte da meditação ocorre o que iremos analisar nesta apostila.   Que é a dificuldade do controle da mente, o controle dos pensamentos, sem que, para isso, seja necessário hercúleo esforço.

     

    Principalmente nós, os povos ocidentais, mormente nos tempos atuais, desde a infância, somos sugestionados ao consumo excessivo de bens materiais.

     

    Este processo mais acirrado de sedução iniciou-se quando as antigas lojas e armazéns se converteram em supermercados.  Nestes, as mercadorias ficam, sedutoramente, ao alcance das mãos, como a pedir: “- Leve-me com você.”

     

    Incrementando essa metodologia mercantilista vieram, posteriormente, os shopping centers, conglomerados de variadas lojas que, ao visitante, evoca verdadeiro bombardeio de sugestionamentos às compras.

     

    Diante desse impacto modístico poucas são as pessoas que resistem à tentação de comprar, de comprar, de comprar, e se endividar, descontroladamente.

     

    Bem, digamos, para nossa análise do tema proposto, que nosso candidato à meditação seja um deste, vorazmente, comprador.

     

    Certo dia, de tanto ouvir falar, resolve experimentar o que chamam de meditação.  Passa a frequentar algum grupo afim, ou adquire alguns livros sobre o tema.  De posse das  primeiras instruções sobre meditação e, muito animado, apronta-se para os treinamentos.   Marca horário, tempo de duração do treinamento, veste uma roupa leve, coloca a tocar suave música e lá está nosso candidato ajeitando-se, segundo melhor lhe aprouver:  sentado na posição oriental, ou numa cadeira, ou mesmo deitado.   A escolha é de cada um.

     

    Enfoca, então, seus primeiros pensamentos moldados em beatitudes religiosas, pois que assim aprendeu desde sua tenra infância, e isso lhe é espontâneo, quase automático.   Todavia, instantes a seguir, assaltam-lhe lembranças do cotidiano.   Pensamentos e imagens de objetos que viu em lojas; também se recorda das contas domésticas por pagar; prestações de bens duráveis; relacionamentos no trabalho, aquele chefe um tanto exigente; educação dos filhos;  convivência conjugal que, para sobreviver, tem sido como um malabarismo,  e por aí vai.

     

     

    Pronto !!!, uma bolha de preocupações se instala em sua mente.   Os cifrões orbitam sua mente. As beatitudes religiosas, tão ciosamente pensadas, desfazem-se substituídas pelas imagens dos compromissos.

     

    Num esforço quase braçal nosso(a) candidato(a) tenta apagar as imagens perturbadoras, inquietantes, e retoma os pensamentos anteriormente iniciados.

     

    Mas qual nada, como num movimento pendular, vão-se as quietudes; voltam as inquietações; afasta estas, reintroduz aquelas.

     

    Sua mente é quase uma mesa de ping-pong, com a bolinha voando de uma extremidade à outra, arremessada por contendores vorazes, desanimando-o por esta vez.

     

    Não dá !, não dá !, por hoje desisto, e encerra a sessão.

     

    Mas nosso(a) candidato(a) está mesmo decidido a apreender da meditação.  Leu tanto sobre métodos, conversou com vários experimentadores, e todos foram unânimes em informar dos benefícios que essa prática proporciona.

     

    Todas essas informações não o deixam esmorecer diante do primeiro fracasso.  Até lhe falaram que era assim mesmo.  Deveria, portanto, insistir.

     

    E insistiu.

    Veio a segunda tentativa.....

     

     

    Ah !, como estavam sendo teimosas as interferências do dia a dia.  Ele as sentia como se fossem um leão faminto e enjaulado tentando devorar-lhe a quietude desejada.   Um animal perigoso debatendo-se, incessantemente, contra as barras de ferro que o prendiam.   Assim estavam seus pensamentos.

     

    Mediante essa luta que trava no íntimo de si mesmo, após alguns minutos de treinamento sente-se cansado.   Por outra vez as tentativas foram frustrantes.  Nem um minutinho de serenidade contínua conseguiu.  Teria que domar a fera que traz dentro de si.

     

    Por outra vez não desanimou. No dia seguinte volta aos preparativos.   E assim, por muitos dias sucessivos que se somaram em semanas, e estas em meses, segue nas repetições que, por fim se mostram animadoras.

     

    Consegue o primeiro ponto de apoio para solidificar seus planos de meditação.   Este ponto, traduzido por pequenas sequencias de pensamentos voltados só para a sublimidade da alma, já lhe proporcionam  agradável sensação interior.

     

    Nunca a havia experimentado.  No entanto, não se deixa dominar pelo euforismo.   Os meses de luta com seu “leão” interior deixaram claro que a fera ainda continua à espreita.  Cifrões ainda obscurecem o cenário geral de sua vida.

     

     

    Não obstante, a fera inquietante e faminta está menos provocadora.   Os flashs de pensamentos sublimes tornam-se mais repetitivos.

     

    Os ânimos se redobram.  Os primeiros sucessos aliviam suas tensões.   Os pensamentos já não se mostram tão tumultuados quanto antes, permitindo que nosso(a) candidato(a) vislumbre imagens harmoniosas com duração maior.

     

     

    Ufaaa !, finalmente, a fera tende a dar sinais de que não mais se mostrará agressiva.  

    Nesta mansuetude nosso(a) candidato(a) consegue concatenar imagens que lhe parecem fáceis de serem conduzidas.

    Parecem-lhe... mas não são tanto assim.  

    Contudo, já se acha investido das possibilidades de passar a uma fase mais avançada. 

    Os tropeços maiores foram superados.

     

    E a próxima fase é a da borboleta errante, que veremos na apostila a seguir.

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    Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil

    10 de Dezembro de 2010

     

     

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