Meditação - Apostila 9

    Meditação - Apostila 9

    A Técnica

     

    Dissemos na apostila 5 que não somos catedráticos no assunto meditação.  Que nossa série visa, tanto mais, descrever experiência própria a par, porém, com literaturas mais light – leves – e jamais querendo nos igualar aos gurus tão em moda, mesmo porque estamos muito distantes dos cânticos dos ventos do Himalaia e das celas silenciosas de seus monastérios.

     

    Nosso viver é mesmo na arena da civilização tecnológica – barulhenta, turbulenta e cerceadora da mente, mas é aqui que temos de aprender a domesticar nossa mente.

     

    Sigamos:  Repetimos abaixo a figura apresentada na apostila 8, bem como os últimos trechos daquela, para facilitar a continuidade do estudo.

     

     

    Falemos mais sobre o nível das ondas Alfa.

     

    É neste padrão vibratório que se insere o processo de meditação.  O indivíduo não está nem totalmente consciente e nem totalmente inconsciente.  Encontra-se em fase intermediária a estes dois estados: consciente e inconsciente.

     

    Quando consciente a pessoa se deixa prender aos sugestionamentos comuns da vida:  Leões famintos e borboletas errantes, perdendo o poder de concentração mental.

     

    Se inconsciente, bem, disso todos sabem, é o abandono no sono, o se perder nos mundos oníricos.

     

    No estado Alfa, entretanto, é um pé cá no mundo de todo dia e o outro pé no mundo das possibilidades mentais.  E como mundo das possibilidades mentais podemos entender como o mundo da Ideação Cósmica, o padrão Divino dos Pensamentos.” (Apostila 8).

     

    Está bem claro, então, que a meta principal é aprender – educar-se – ao uso proveitoso das ondas Alfa.  Este educar-se é uma espécie de aprender os “idiomas” das outras dimensões de vida.  De compreender a flutuação auditiva e visual que acontece naqueles momentos hipinagógicos.

     

    Para rememorar repetimos a seguir trecho da apostila 52 da série Mediunidade que se refere, exatamente, a isso:

     

    À meditação podemos chamar de meio de acesso a esses outros níveis existenciais.  Todavia, esses outros níveis possuem suas linguagens próprias, análogo ao que acontece com as nações da Terra.  Cada nação, ou grupo de nações, fala seu próprio idioma, diferente das demais.

     

    Desta forma, para que desta dimensão física em que nos encontramos, se possa ter acesso às outras dimensões, se faz necessário aprender daqueles “idiomas”.   E isso é feito via meditação, qual seja, aquietamento das emoções e das reações do viver físico para que, consciencialmente, se possa “ouvir” daquelas linguagens.

     

     

    Através da figura 52E tentamos criar uma visualização de todo esse acontecimento.  Vamos à descrição da figura.

     

    Quadro A

    – A esse momento a pessoa está se preparando para o ato da meditação.  Acomoda-se confortavelmente conforme possa fazê-lo.  Mentaliza objetivos de seu interesse, e como se fossem sondas, suas vibrações mentais “sobem” em direção aos  níveis superiores.  Perpassando um a um até atingir o Centro Consciencial, seu Eu verdadeiro que se situa no plano Monádico.   Naturalmente que nas primeiras sessões de treino quase não perceberá mudanças em seu nível mental, como também ele não irá além do plano Astral.   Somente após longo período, meses, talvez até mais, é que começará a sentir as vibrações mais sutis das alturas maiores.

     

    Quadro B

    – Já num estágio mais avançado suas vibrações mentais atingem seu Centro Consciencial.  Forma-se a interação entre os dois extremos.  O Monádico e o Físico.  O Eu verdadeiro e seu instrumento mais denso.  Como se nada existisse entre os dois, quais sejam, os demais corpos, a pessoa, a nível físico, passa a sentir o envolvimento das energias sutis, reformuladoras de um indescritível bem estar.   O Eu verdadeiro, como que se despertando, lança fluxos contínuos de suas mais puras energias envolvendo todo seu instrumental de manifestação cósmica.   Todos os seus veículos, corpos, se enfeixam num só fluxo de energias.  Isto é, igualam-se as linguagens dos vários planos e um só sentir passa a tomar conta do conjunto.

    Fisicamente, a pessoa sente que um halo de luz, energias, a envolve.  Uma quietude que não conhecia.

     

    Quadro C

    – O processo de meditação atinge um ápice que se aproxima do êxtase.   O Eu, em vibrações mais intensas, como num abraço mais apertado, ajusta todos os corpos num só diapasão vibratório.  A pessoa, fisicamente, vai sentindo como a se desdobrar.  Mas não é a multiplicação de seu corpo Físico.  O que sente é o perceber dos demais corpos junto aos quais compõe o conjunto utilizado pelo Eu.  É a consciência, perpassando por cada um deles, como se fosse o dedo indicador de um pianista tocando, seqüencialmente, as teclas de um piano.  Uma a uma.  Em notas cada vez mais crescentes.”

     

    A esta sequência descrita nos quadros da figura 52E podemos chamar de Estado Alfa Profundo, muito próximo dos níveis Teta, sem contudo neles penetrar.

     

    E agora reapresentamos orientações contidas na apostila 53 da mesma série Mediunidade, sempre esclarecendo que são sugestões, pois o processo da meditação é individual e intransferível, assim como as digitais das mãos e o timbre da voz.

     

    Exercício Preparatório – a) – Sentar-se o mais comodamente possível.  Uma posição mal escolhida em pouco tempo causa desconforto, obrigando a interromper a meditação.  Outra posição, por exemplo deitado, ocasiona sono, portanto é desaconselhável. [Em nossas sessões pessoais a posição deitado deixou de ser inconveniente depois que passamos a fazer a meditação em horas da madrugada.  Contudo, cada praticante deve, por si, adaptar-se numa posição que melhor lhe convier.]

     

    1. b) – Verificar se os músculos estão ou não tensos. Para isso, passe o corpo em revista, desde os pés até os músculos da face. Pés, pernas, abdômen, tórax, mãos, braços, ombros e rosto, deixando-os bem relaxados.   Lembrem-se, o exercício é para controle das emoções.  Emoções mais fortes enrijecem os músculos.

     

    1. c) – Com a preparação acima já estamos dando ocupação à mente. Ocupação controlada. Para continuar o controle transfere-se a atenção que se mantinha sobre os músculos para o sistema respiratório.

     

    1. d) – É a parte mais importante do exercício, pois, como ficou dito, controlando a respiração controla-se as emoções. As pessoas estão acostumadas a respirar por efeito de automatismo, o que é muito natural no cotidiano da vida, entretanto, no caso específico da meditação, deve ser o inverso. Ocupar a mente controlando a respiração.

    1. e) – Para ocupar a mente, contar os ciclos da respiração durante uns cinco minutos. Mentalmente executar o seguinte ato de contagem:

     

    (contando) Um – (inspira – puxa o ar)

    (contando) Um – (expira – solta o ar)

    (contando) Dois – (inspira – puxa o ar)

    (contando) Dois – (expira – solta o ar)

     

    e assim sucessivamente.  Sempre de forma suave, quase ao natural, como se não estivesse prestando atenção à respiração.   Sem forçar.

     

    1. f) – Sempre que se confundir na contagem, porque algum pensamento estranho se introduziu na mente, interrompa a seqüência e recomece do número “Um”.

     

    1. g) – ao final de cinco minutos bem aproveitados, sem interrupções, a respiração vai estar calma, as emoções estarão serenas e a mente terá diminuído a intensidade de oscilações, fator este, preponderante para os efeitos desejados e a serem obtidos.

    É o momento de se ligar ao mundo extra-físico.”

     

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    A – Visualizar, abstratamente, algum motivo que lhe tenha significado.

     

     

    Por exemplo, a figura símbolo indicada acima.  Todavia, deve ser uma visualização serena, sem forçar a mente.  Sugerimos a figura acima, entretanto, pode ser outra que melhor lhe fale ao inconsciente.  Até mesmo a figura de um Mestre.  Uma imagem, ícone, de algum Ser, que lhe inspire atração.  Esta escolha deve ser, inteiramente, pessoal.  E o que está descrito a seguir serve de guia para sua mentalização naquilo que você escolher como ponto focal.

      

     

    B – Ao notar que a visualização está se tornando nítida, firme, contínua, observar que também ela irá se ampliando, e suas cores se tornando mais vívidas.  Essa vivacidade significa que sua mente, representada pelo símbolo que visualiza, está dissipando todas as energias negativas que por ventura estejam lhe envolvendo.

     

    C – Mas a figura visualizada não cessa de crescer.  Agora, com o continuar de sua serenidade, ela está tão grande que você cabe, inteiro, dentro dela.  Então, visualize-se dela se aproximando.  Caminhando mesmo, dentro da imagem, e se dirigindo à árvore.  Tudo, muito ao natural.  Tão ao natural que quase você não distingue a imaginação da realidade que o cerca neste momento.

     

    D – Não se deixe assustar e com isso quebrar a harmonia da visualização. 

    Deixe-se ficar dentro dela, da imagem visuali-zada, e sinta a quietude que ela lhe concede. Acomode-se. Veja na figura 53C o que ela sugere. Sente-se sob a frondosa árvore.  Encoste e sinta o tronco a suas costas.  Sinta, também, o contato com o chão. O “calor” inspirativo daquele Sol e a sombra amena da árvore.  Sinta que só você está ali.  Parecendo que o restante do universo desapareceu.  Este profundo silêncio exterior vai lhe permitir ouvir sua voz interior.   Não reprima a espontaneidade do que ela lhe falar.   Pode, de início, lhe parecer dizeres desconexos.  Sem fundamentos.  Até mesmo, coisas bobas na sua conceituação.  Deixe.  Não preste muita atenção a isso.  Apenas sinta.  São seus sentidos ocultos se despertando.  Olhos, ouvidos, e sentidos do tato, formas extras que você nem sabia possuí-los.  Eles lhes trazem percepções novas.  Percepções que vêm das outras dimensões de você mesmo.

     

    E – Neste momento você está, inteiramente, “dentro” de si mesmo.  O que acontece é que suas energias conscienciais, de alto nível, o envolvem no todo.  Ali é você, e só você !

     

    F – Não expresse nenhum pensa-mento previamente preparado.  Deixe fluir, livre-mente, a expressão que do “alto” verte sobre você.  Talvez venha a ser uma expres-são de comovido agradecimento a Deus, ou um cântico espontâneo. Tudo, quase certo, envolto numa alegria inigualável.

     

    G – Não se deixe preocupar em definir o que estiver acontecendo.  Não interfira no fluxo que lhe envolve.

     

    H – Após um período que considerar como suficiente, comece a se retirar de “onde se encontra”, visualmente.   Levante-se.  Você estava sentado sob a árvore.  Vagarosamente, caminhe distanciando-se dela.  Aos poucos, vá deixando a imagem visualizada ir se restringindo.   Vagarosamente.  E você, voltando a tomar consciência plena de si mesmo, no espaço físico.

     

    I – Deste ponto em diante só o tempo poderá dizer o que lhe vai acontecer, seja após esta ou em sessões futuras de meditação.  De você exige-se, como tanto se falou inicialmente, apenas o respeito por empregar com reverência seu novo potencial de vida.   É você, e só você !”

     

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    Temos um pouco mais a comentar sobre os substratos do processo da meditação.  Mas isso irá ficando para as próximas apostilas.

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    Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil

    07 de Janeiro de 2011

     

     

     

     

     

     

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