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Planejamento Espiritual e Mudança - 2893

Planejamento Espiritual e Mudança

Jorge Elarrat 

 jorge elarrat

 

 


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Vínculos, Reencarnação e Finalidade da Encarnação na Doutrina Espírita

Segundo a Espiritismo, a vida verdadeira é a vida espiritual; a existência corpórea é transitória, constituindo apenas uma etapa educativa do Espírito imortal.


No plano espiritual é possível evoluir, como exemplificado por André Luiz em Nosso Lar e por Camilo Botelho em Memórias de um Suicida.


Ambos demonstram progresso moral no além-túmulo após períodos de sofrimento e reflexão.

Entretanto, surge a questão central: se o Espírito pode evoluir no mundo espiritual e se essa é a vida real, por que reencarnar?

A resposta reside na necessidade de autoverificação moral.


No plano espiritual, a lucidez acerca da imortalidade, da lei de causa e efeito e da necessidade do amor favorece decisões nobres. Porém, essa clareza pode gerar uma ilusão de transformação — o Espírito pode acreditar que já superou imperfeições que, na verdade, permanecem latentes.

A encarnação funciona como um teste prático, um “raio-X da alma”.


Ao reencarnar, o Espírito passa pelo mecanismo biológico da embriogênese, conectando-se ao zigoto e orientando a formação do corpo físico (modelo organizador biológico).


Nesse processo ocorre o esquecimento temporário do passado, condição indispensável para que a prova seja autêntica. Sem o véu do esquecimento, não haveria mérito real na superação.

A existência corporal, com suas limitações, conflitos e desafios cotidianos, revela o que realmente somos — não o que pensamos ser. Aqui não prevalece a intenção declarada, mas a reação espontânea diante das circunstâncias.


Assim, vícios, tendências e pendores morais reaparecem como inclinações naturais, demonstrando o grau real de transformação alcançado.

Além disso, as diferenças de aptidões intelectuais e inclinações morais entre indivíduos são compreendidas como heranças de experiências pretéritas.


A reencarnação não apaga tudo; conserva tendências e conquistas anteriores.

Portanto, a encarnação não é retrocesso nem punição, mas instrumento pedagógico.


O Espírito reencarna para:

  • Confirmar se efetivamente superou imperfeições;

  • Consolidar virtudes no campo das provas concretas;

  • Reparar débitos morais;

  • Avançar na vivência do amor — condição essencial da felicidade, conforme o ensino de Jesus Cristo.

Antes do retorno à matéria, ocorre o planejamento reencarnatório, fase em que são delineadas as experiências mais adequadas ao progresso do Espírito. Em seguida, inicia-se o processo reencarnatório propriamente dito, culminando no nascimento.

Em síntese: evolui-se no mundo espiritual, mas é na encarnação — sob o véu do esquecimento e diante das provas concretas — que o Espírito comprova, de fato, sua transformação moral.

 

 

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