Meditação - Apostila 7

    Meditação - Apostila 7

                   

    Por Que Meditar?

     

    Nas apostilas precedentes traçamos o mapa do caminho que se percorre quando ingressamos nos treinamentos de adaptação da mente, ajustando-a de forma a conseguir uma concentração que permita atingir padrões vibratórios mentais de alta performance espiritual.

     

    Todavia, é bem possível que algumas pessoas que nos lerem, habituadas ao mundo de utilitarismo em que se converteu a sociedade humana da Terra, possam estar se perguntando: é mesmo proveitoso adotar a meditação como princípio harmonizador da personalidade ?  Ou seja, em termos práticos, qual a razão de adotar tal hábito ?

     

    Vejamos se conseguimos responder a estas perguntas, embora o conteúdo das apostilas precedentes tenha, na forma generalizada, as respondido.

     

    Em termos espirituais a grande massa ocidental tem sido orientada por religiões de culto exterior, onde se preceitua uma divindade separada, e distanciada, cujo comportamento, se assemelha ao do próprio homem, pois, às vezes se mostra benevolente, mas, de repente, altera-lhe o humor e lança farpas de ira.  Também demonstra facciosidade, premiando uns e castigando outros.  E, por sua vez, habitando um indefinido endereço no universo, lugar este designado só pela palavra céu.

     

    Essas referências, tão distorcidas da realidade, ditadas pelos postulados religiosos, estão muito longe de atender as necessidades espirituais da humanidade.  Na verdade a deixa inteiramente confusa e insatisfeita, razão porque, nesta carência, os homens e mulheres se agarram aos ídolos perecíveis da matéria, ou aos ídolos efêmeros de personalidades do meio artístico ou esportivo, sem que, contudo, se preencham interiormente, porque são ídolos tão vazios quanto eles próprios, os necessitados, os carentes de espírito.

     

    Entretanto, poucas pessoas enxergam o que está acontecendo com a humanidade.  Estes poucos se afastam das religiões tradicionalistas e, por meios próprios, passam a percorrer as vias do reencontro com o autêntico Divino porque sentem em si que o Divino neles se encontra, assim como todos se encontram Nele.

     

    Nessa jornada estudam livros espiritualistas de variadas origens compulsando diferentes opiniões e, com elas, estruturam um mosaico que lhes assegure mais sólido caminho a percorrer, do que aquele de areias movediças dos cultos exteriores.

     

    É uma longa jornada porque nossa civilização já vem de, no mínimo, dois mil anos de educação religiosa pautada por instituições que se auto denominam de religiosas mas que, por detrás desse pano de fundo, se comportam como políticas e mercantilistas.

     

    Estes fundamentos estão enraizados no inconsciente coletivo de nossa humanidade, significando que, se uma pessoa, desejando ensinamentos mais coerentes com o próprio nível evolutivo da inteligência do ser humano terá, pela frente, uma íngreme ladeira a ser escalada sozinho.

     

    E os sucessos nessa jornada só serão alcançados se aplicar continuados e pertinazes esforços nessa arrampagem, pois que as “forças de gravidade”, incrustadas no inconsciente coletivo estarão arrastando-a para baixo.

     

    Logo, a todo aquele, ou aquela, que ingressa na jornada dos estudos diferenciados das religiões, bem como no que chamaremos de espiritualismo, deve se predispor a longa e exaustiva caminhada, pois, paradoxalmente, embora tenham em si a Verdade completa, não obstante, para enxerga-la, terão que, de sobre ela, remover grossa camada de poeira secular religiosa.

     

    Indo até um pouco à diante, diremos que além da predisposição ao esforço, aparentemente, sem recompensas, é preciso que o neófito também se arme de coragem.

     

    Coragem ?  Sim, coragem para enfrentar e dominar os famigerados leões que se postam no caminho, com suas bocarras prontas a abocanhar o incauto que tenta afrontar essa herança multimilenar religiosa.  Seu inconsciente escravizado aos dogmas.

     

    A todo momento, no seu campo de leituras e estudos, até que se delineiem os primeiros raios da convicção, o novato se baterá com as dúvidas, com as incertezas e, por algumas vezes, desejará retornar ao que já lhe estava estabelecido, mesmo que falso.

     

    Este é o estado d’alma que por muitos meses, dezenas de meses, estará, passo a passo, com o aprendiz das verdades espirituais.

     

    Mas vale a pena.

     

    Vale a pena e diremos porque.

     

    Falamos acima do mundo prático em que, como seres humanos, convivemos como sociedade.

     

    Para se alcançar boa posição social neste mundo em que a praticidade é a mola ascensional, desde a mais tenra infância as pessoas têm de frequentar instituições de ensino escolar, fazendo-o até à idade adulta.  Em muitos casos, indo além, nos chamados cursos de pós graduação.  Noutros casos ainda, devido à rápida superação dos conhecimentos e de novas teorias que vão surgindo, mediante as exigências do sistema mercantilista, por toda a vida estes terão de continuar estudos e pesquisas.

     

    Pois bem, tudo isso é engrandecedor se olharmos pelo lado da evolução mento/cerebral da espécie humana.  Contudo, carece pelo lado da moral fraterna, pois que toda essa praticidade só tem servido ao enriquecimento monetário dos detentores de suas patentes, em detrimento de toda uma raça, às vezes, até escravizando-a através dos métodos comerciais de cartelização.

     

    Mesmo assim, este estado de coisas nos servirá de exemplo – analogia – para nossa justificativa do porque meditar.

     

    Vejamos então.  Para subir na vida, como é o dito popular, e destacar-se na sociedade, a pessoa tem de especializar-se intelectual e profissionalmente.  Não o fazendo, marginaliza-se.  Fica relegada a posições inferiores onde nidificam os baixos salários.

     

    É assim que acontece na sociedade humana da Terra.

     

    Mas, como pessoa, não somos seres humanos carregando um espírito.  Somos Espírito animando um corpo humano, o que é muito diferente, como, também, diz muito.

     

    Diz que, por sermos Espíritos – seres Espirituais – já existíamos muito antes de envergarmos esta vestimenta de carne e osso.  Vestimenta que, por princípio, como de todos é sabido, se compõe de átomos temporariamente agregados por força do magnetismo que o ente primário – o Espírito – exerce sobre eles, os átomos, mas que, uma vez aquele afastando-se todo o conglomerado atômico se desintegra.  Simplesmente desaparece de frente aos olhos.  Torna-se o que, popularmente, poder-se-ia dizer, um NADA.

     

    Ora, então por que toda essa ânsia cultural de quando se está em corpo físico se em NADA ele se converterá ?

     

    Acontece que o culto do corpo vem como um derivativo da carência espiritual já que o culto vazio e exterior das religiões não preenche os anseios, como mencionamos acima.

     

    Mas este tempo está aproximando de uma encruzilhada que a cada dia fica mais visível.  A encruzilhada em que a humanidade ver-se-á frente a entender que, durante milênios, foi enganada, mas que agora poderá escolher entre manter-se cega, cultuando o NADA, ou ter os olhos abertos, direcionando-se ao REAL.

     

     

    Desta maneira, como todos somos Espíritos passando só uns tempos como humanos na Terra, e muito nos aplicamos por nos destacar socialmente, o que dizer de uma sociedade espiritual, isto é, uma sociedade composta só por seres em Espírito ?!, sem a vestimenta física.   Ou, se encarnados, conservando a consciência de suas origens e destinação, de tal forma que a base dessa sociedade seja a autêntica fraternidade. 

     

    Por certo numa sociedade dessas – seres espiritualizados – aplicar-nos-íamos muito mais do que o fazemos na atualidade, e movidos por princípios, unicamente, altruísticos que, por decorrência, estar-se-ia construindo a Paz.

     

    Vejamos isso em outros termos.

     

    Como espíritos encarnados limitamo-nos à Terra, mas conscientes de nossa origem e destinação poderemos, de fato, nos sentir inseridos na Totalidade cósmica.

     

    Continuando, se como humanos empenhamos esforços para galgar degraus sociais, até sabendo que disso resultará em proveito só, no máximo, de algumas dezenas de anos, mas que, no entanto, são as exigências da sociedade a que pertencemos, então, por irrefutável lógica, devemos nos esforçar muito mais para galgar os degraus da evolução cósmica, porque este viver – o viver cósmico – não terá a duração de umas poucas dezenas de anos terrestres, mas vem desde os primevos imagináveis e inimagináveis estendendo-se pela Eternidade.

     

    Ah !, mas aí a pessoa esbarra num obstáculo gigantesco.  Desenvolver-se intelectual e profissionalmente significa possibilidades maiores de acumular dinheiro – riqueza terrestre – já o estudar espiritualismo... não traz nenhuma acumulação de bens materiais.   E nossa sociedade é tão materialista...

     

    Todavia, neste caldo materializante encontramos algumas pessoas que desapegam-se da cobiça desenfreada e conseguem compartimentar suas vidas de maneira a, também, atenderem suas ansiedades pelo encontro do Saber espiritual.

     

    Pois bem, estas, em comparação aos estudantes curriculares da Terra, estão cursando ensinos que as capacitem a galgar os degraus do viver Cósmico.

     

    Contudo, a par de seus estudos, percorrendo instituições diferenciadas de seitas tradicionalistas, ou grupos espiritualistas, e complementando com a extensa bibliografia pertinente compreendem que não bastam as freqüências, as leituras e os estudos.  Há que, conscientemente, introjetá-los em si.  Interná-los em seu Ser como se fossem um tufão a soprar para longe a grossa camada de poeira milenar dos falsos ensinos religiosos.  E para fazer isso nada substitui a Meditação.

     

    Aqui chegamos ao ponto fulcral de nossa exposição.

     

    A meditação é o processo que chamaremos de educação espiritual autodidata.

     

    É o Ser consigo próprio.

    Ele e Ele dialogando-se.

     

    Ele, o humano, conversando com Ele, o Espírito.

     

    Parece esquisito dizer nesses termos mas é isso o que, intrinsecamente, acontece ao praticamente de Meditação.

     

    Dirão alguns: “- Mas li num livro onde o autor descreve sublimidades visualísticas em suas meditações, e aqui estão vocês falando em eu humano conversar com eu espírito ?   Onde está a beleza disso ?  Conversar já converso o dia inteiro e, quando chegar a noite, que irei meditar, terei de conversar ainda mais, e com um suposto ente que nem estou vendo ?

     

    Até que nosso cético leitor tem parcela de razão.  Mas só parcela.

     

    É conversar, sim, gente !  Uma conversa de si para consigo onde infere-se a substituição da poeira multimilenar pelo brilho do conhecimento novo e realístico.

     

    Novo ?!  Não, novo não, porque já o temos, holograficamente, desde que fomos criados em espírito.  Então o correto é dizer rememorar o conhecimento.   Desta forma o diálogo de si para consigo, que alguns chamam de reflexão, é a maneira possível de silenciar nossa mente tagarela, espantando os leões famintos e as borboletas errantes, de maneira a, paulatinamente, ir progredindo no processo de concentração mental para, aí sim, alcançar o alto nível de centralização espiritual que permita ter as “ambiciosas” visualizações celestiais, como delas falam, especialmente, os orientais.

     

    Mas, meditar é só para ter visualizações beatíficas ?

     

    Não.  Se fosse só para isso seria mais fácil ligar a televisão e ver um filme de aventuras, mormente as espaciais, ao invés de despender anos em treinamentos mentalizadores.

     

    Meditar, como analogia aos cursos escolares da Terra, é o processo de reeducação mento/espiritual.  Isto é, como pessoa humana, reeducar-se para a inevitável reintegração com a vida cósmica, a vida espiritual.

     

    É o preparar-se para se “destacar, indo em direção e ao mesmo tempo que nivelando-se” à coletividade espiritual cósmica.

     

    E este preparar-se significa ajustar-se como Ente Cósmico, que somos, aos postulados da fraternidade autêntica.

     

    Dialogando, então, de si para consigo, em avaliações diárias sobre o comportamento individual, e o coletivo do todo social, a pessoa irá promovendo a transformação interior.   As imperiosidades que a sociedade lhe incutiu ao longo de sua infância e da vida adulta, concernente ao culto da ambição, descambando na arrogância do ter mais que os outros, vai sendo substituída por valores imperecíveis.  Inicialmente por pequenos atos de solidariedade, pequenos exercícios que são de estar voltando os olhos aos que têm menos.

     

    Destes pequenos atos, encoraja-se por vir a ser propagador de ações mais abrangentes.  Assim segue percorrendo a jornada do reencontro com o Si Divino.

     

    Paralelamente, porém, até de forma imperceptível, vai-lhe ocorrendo a expansão de sua consciência, pois que está é a objetividade maior do processo de meditação.

     

    Expandir a consciência, alarga-la, abarcar mais amplo contexto cósmico, como vimos na apostila 6.

     

    Aqui cabe uma outra analogia:  A expansão consciencial infinita esta só o Inominável – Deus – a possui.   Todavia, como em essência somos Sua Imagem e Semelhança, possuímos, por isso, a faculdade expansível da consciência – de nosso Eu Maior – nosso Eu Divino.   Só, ainda, não exercemos essa posse porque, religiosamente, nos ensinaram, por milênios, a nos confinar no medo imposto pela casta sacerdotal.

     

    Isso também acontece aos povos orientais em que lhes ensinaram a divisão de castas sociais, convertendo os menos afortunados ao estigma da marginalidade, enquanto que o ápice, os Brâmanes, viessem de poder melhor controlar as massas.

     

    Entretanto, sabendo disso, como seres inteligentes que somos, não justifica mais permanecermos cerceados pelas mentes astutas, mas começarmos a pensar por nós mesmos.

     

    E é aí que se inicia a expansão da consciência, auferindo os inimitáveis benefícios da reintegração do Ser a Si mesmo.  Por decorrência o reintegra ao cosmos.

     

    Vale dizer, o reintegra às fraternidades que, de dimensões mais altas administram a vida como um todo por todos os Universos.

     

    Não se esqueçam:  Somos entes cósmicos, e não apenas temporários cidadãos da Terra.

     

    É disso que se vale da Meditação:  Acordar para o sentido real do Existir.

     

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    Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil

    31 de Dezembro de 2010

     

     

     

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