A missão dos Espíritas

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    A missão dos Espíritas

    Autor: Rubens Policastro Meira

    Há quase 2.000 anos, um Homem, Jesus, descortinando o futuro, nos dizia:

    Ide e pregai. Ide! Eis que vos mando como cordeiros ao meio de lobos (Lucas 10:3).

    Naquela mesma ocasião, o Mestre nos asseverava da vinda do Consolador. (João 16:7).

    Igualmente nos chamava a atenção sobre os trabalhadores da última hora, dizendo-nos: Assim, os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos, porque muitos são os chamados e poucos os escolhidos (Mateus 20:1 a 16).

    No devido tempo, cumprem-se as promessas de Jesus, e o Consolador surge, sob a égide do Espírito Verdade, na feição da Doutrina dos Espíritos, codificada por Kardec.


    Surge como foi anunciado, visando realizar a transformação da humanidade pelo melhoramento das massas, o que se dará gradualmente, pouco a pouco, pelo melhoramento dos indivíduos (LM - cap. XXIX - item 130).

    Mas, para realizar sua missão cósmica, a Doutrina Espírita necessita dos trabalhadores, e surgem no contexto histórico, aqueles que são os trabalhadores da última hora, os quais têm o direito de receber o mesmo salário dos demais que o antecederam, desde que a sua boa vontade os haja conservado à disposição daquele que os tinha de empregar e que o seu retardamento não seja fruto da preguiça ou da má vontade.

    Têm eles direito ao salário, porque desde a alvorada esperavam com impaciência aquele que por fim os chamaria para o trabalho (Ev. Seg. Esp. - Cap. XX - item 2).

    A ordem imperativa do Mestre, IDE!

    Eis que vos mando como cordeiros ao meio de lobos, reflete-se nos trabalhadores espíritas, em que Jesus se reportava a cordeiros fortes, e que conseguissem superar as lutas da estrada e respirar em planos mais altos que os lobos vorazes.

    Jamais o Mestre iria enviar cordeiros e ovelhas frágeis à luta. Seria o mesmo que ajudar a carnificina.

    E como fortalecer os cordeiros?

    Com o conhecimento adquirido, através da Doutrina dos Espíritos; com a certeza, a convicção da imortalidade; da reencarnação; da Lei da Ação e Reação etc.

    Todos os que já tomamos contato com a Doutrina Consoladora, somos os cordeiros que Jesus envia.

    E Ele necessita de cooperadores fiéis, prudentes, mas valorosos.

    Envia-nos ao centro do conflito, não como quem remete cordeiros ao matadouro, mas sim à gleba de serviço, onde se pode semear novos e sublimados dons espirituais, entre os lobos famintos, através da exemplificação e do amor incessante e incondicional.

     

    Objetivo do Espiritismo

    - Jesus já nos falara da Doutrina dos Espíritos, quando em reunião íntima dissera:

    Mas, quando vier aquele Espírito de Verdade, ele vos guiará em toda a verdade... (João 16:13).

    E Kardec nos informa quando diz: A Doutrina Espírita, como movimento renovador, tem um papel considerável no seio da humanidade.

    Pelas verdades fundamentais que traz, preenche o vazio que a incredulidade faz nas idéias e nas crenças; pela certeza de um futuro conforme a Justiça de Deus, tempera as agruras da vida e evita os funestos efeitos do desespero.

    Dissipa a incredulidade e a superstição, pois que dá a conhecer novas leis da natureza, chave para os fenômenos incompreendidos e problemas até então julgados insolúveis.

    Coloca-se como campeã absoluta da liberdade de consciência, longe de substituir um exclusivismo por outro; combate o fanatismo sob todas as formas; em vez de desencorajar o fraco, encoraja-o, mostrando-lhe o fim a que pode atingir.

    Destrói o império da fé cega, que aniquila a razão e da obediência passiva que embrutece; emancipa a inteligência do homem e levanta a sua moral (RE - 1866 - OUTUBRO - PAG. 298).

    A Doutrina Espírita vem, como o Cristianismo, mostrar ao homem a absoluta necessidade de sua renovação interior pelas consequências mesmas que resultam de cada um de seu atos, de cada um de seus pensamentos (RE - 1866 - MAIO - PAG. 158), objetivando dessa forma, levar à transformação da humanidade pelo melhoramento individual.

     

    O melhoramento é, pois, o objetivo essencial do Espiritismo (RE - 1866 ABRIL - PAG. 113/114), pois assim tornará patente a destruição das idéias materialistas (RE - 1863 - MARÇO - PAG. 82).

    O que entendemos por idéias materialistas, por materialismo?

    A imensa maioria de nossos companheiros espíritas, seja por ignorância, seja por comodismo, seja pelo espírito místico e de religiosidade igrejeira, entende que o materialismo é uma doutrina que descrê de Deus.

    Mas o materialismo que os Espíritos informaram a Kardec, quando da pergunta 799 de O Livro dos Espíritos:

    De que maneira  pode o Espiritismo, contribuir  para  o  progresso?

    Resposta.

    Destruindo o materialismo, que é uma das chagas da sociedade..., não se circunscreve a crer ou deixar de crer, mas sim, ao espírito de lascívia (s.f. Propensão para a lubricidade, a luxúria; Libidinagem, sensualidade; cabritismo.), luxúria, impiedade, de exploração, de desperdício dos bens da Terra, de impunidade, de corrupção sob todos os aspectos, e todos os outros males.

    Este é o materialismo, que cabe ao Espiritismo destruir.

    E para encerrar este tópico de nosso estudo, Kardec ainda nos informa que Ele (o Espiritismo) traz o elemento regenerador da humanidade e será a bússola das gerações futuras (RE - 1865 - OUTUBRO - PAG. 299).

    Objetivo do espírita perante si mesmo

    Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, perguntou aos Espíritos, pergunta 573:

    Em que consiste a missão dos Espíritos encarnados?

    Em instruir os homens, em lhes auxiliar o progresso; em lhes melhorar as instituições, por meios diretos e materiais...responderam-lhes as entidades.

    Sabedor do comportamento humano, muitas vezes inútil, Kardec continua as perguntas, e, à pergunta 574, do mesmo livro, interroga:

    Qual pode ser, na Terra, a missão das criaturas voluntariamente inúteis?

    Há efetivamente pessoas que só para si mesmas vivem e que não sabem tornar-se úteis ao que quer que seja.

    São pobres seres dignos de compaixão, porquanto expiarão duramente sua voluntária inutilidade, começando-lhes muitas vezes, já neste mundo, o castigo, pelo aborrecimento e pelo desgosto que a vida lhes causa.

    Todos reconhecemos que não somos espíritos perfeitos, que trazemos conosco pesados fardos a carregar, mas também reconhecemos que O Pai não coloca fardos pesados em ombros frágeis.

    Tomando conhecimento da Doutrina dos Espíritos, pelo estudo, pela meditação, estaremos sendo conscientizados pela Verdade, que nos tornará livres.

    Com esse conhecimento, com essa conscientização, é que encetaremos a marcha para o melhoramento individual, caminho a que tenderá todo espírita sério (RE - 1866 - ABRIL - PAG. 114).

    Portanto, cabe a todos nós fazermos jus àquela frase, inserida no Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XVII, item 3, in-fine, de que...

     

    ... Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más.

    Consciente de que sendo a Doutrina Espírita uma ciência, com consequências essencialmente morais e éticas, todos nós, espíritas, não podemos abstermo-nos das obrigações que a nós são impostas, livremente.

    Com o entendimento racional e o estudo constante, compreenderemos melhor o valor de cada um de nossos atos; sondaremos melhor todos os escaninhos de nossa consciência; compreenderemos melhor a maneira de nos erguer das quedas advindas da longa série de experiências passadas, possibilitando-nos adquirir novos conhecimentos e novas forças, fazendo-nos evitar o mal e a praticar o bem, conforme a Lei de Justiça.

    Assim, após estarmos esclarecidos, e continuarmos orgulhosos, egoístas, cúpidos (Ávido; muito ambicioso), estaremos continuando com a consciência em trevas, embora estejamos em meio à Luz.

    Seremos espíritas apenas de nome, de rótulo, tendo em vista que continuaremos ligados aos prazeres materiais, muitas vezes por comodismo.

    É importante que todos compreendamos que somos mensageiros do Alto, que somos os trabalhadores da última hora, e como tais não devemos permitir que nosso espírito venha a aviltar-se, a degradar-se ao contato dos prazeres da volúpia; das ignóbeis tentações da avareza, que subtrai a alguns o gozo dos bens que Deus deu a todos.

    Deveremos compreender que o egoísmo, nascido do orgulho, cega a alma e a faz violar os direitos da Justiça, da Humanidade, desde que gera todos os males que assolam a Terra fazendo dela um lugar de dores e expiação.

    Cabe a nós, para sermos verdadeiros espíritas, exercer vigilância cuidadosa e permanente sobre nós mesmos, isto é, velarmos sobre os arrebatamentos de nossos corações, a fim de caminharmos de acordo com as Leis da Justiça e da Fraternidade.

    E agindo com tal disposição, vivenciarmos a Doutrina, Kardec, Jesus, para podermos exercer influência sobre a humanidade no sentido de sua renovação.

    Esclarecidos, aceitando as consequências da Doutrina Espírita para nós mesmos, colocaremos nosso devotamento a toda prova e sem segundas intenções ou subterfúgios; colocaremos os interesses da causa, que são os do CRISTO e da Humanidade, acima de quaisquer interesses pessoais ou de amor próprio.

    Os aspectos moral e ético da Doutrina Espírita não são simples teoria.

    Devemos envidar esforços para pregar pelo exemplo; conscientizarmo-nos para ter a coragem de dar nossa opinião, em quaisquer situações, sejam elas morais, científicas, filosóficas, sociais, em qualquer campo.

    Mas também se necessário, sabermos pagar tais opiniões com nossa própria pessoa, com nossa própria vida.

    Para encerrarmos este item, é importante lembrarmos de Jesus, na parábola que ficou conhecida como Parábola da Figueira Estéril.

    Todos devemos nos comparar à Figueira. Devemos dar bons frutos.

    A parábola nos diz: (Lucas 13:6 a 9) Um certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha, e foi procurar nela fruto, não o achando; E disse ao vinhateiro:

    Eis que há três anos venho procurar fruto nessa figueira, e não o acho; corta-a; porque ocupa ainda a terra inutilmente?

    E, respondendo ele, disse-lhe: Senhor, deixa-a este ano, até que eu a escave e a esterque; e, se der fruto, ficará, e, se não, depois a mandarás cortar.

    Vejamos, na análise da parábola:

    Um certo homem............... Símbolo de Deus, o Pai.

    Figueira..................... Nós, espíritos encarnados.

    Fruto....................... Conhecimento, justiça, amor, bondade, etc.

    Vinhateiro ou Viticultor......... Jesus.

    Na Literatura Judaica, principalmente no saber rabínico, a figueira é mencionada frequentemente como símbolo nacional, daí ter o Mestre utilizado essa figura.

    O aviso transmitido é óbvio.

     

    A figueira representa todos nós, individual e coletivamente;

    O vinhateiro, o viticultor é Jesus, o Mestre, que intercede ao Senhor (O PAI) por nós (a árvore estéril) na esperança de que ainda dê frutos.

    A parábola é de alcance e aplicação universal, cabendo a cada um de nós produzir frutos sazonados, em vista do conhecimento que a Doutrina nos enseja, e para que não se concretize, para nós espíritas, as palavras de Jesus no Sermão da Montanha:

    Toda árvore que não dá bom fruto, corta-se e lança-se no fogo (Mateus 7:19).

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