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Kardec e Darwin

EVOLUCIONISMO – o fio que liga Darwin e Kardec

  


 

Comemorou-se em 2009 o “Ano de Darwin”, pela confluência de duas importantes efemérides: o bicentenário do nascimento de Charles Darwin e o sesquicentenário de sua histórica obra “A Origem das Espécies”.

 

Kardec e Darwin, contemporâneos.

  

Charles Darwin, o naturalista inglês que revolucionou a ciência com sua obra “A Origem das Espécies” (1859) e o professor Hippolyte Léon Denizard Rivail, mais conhecido pelo pseudônimo de Allan Kardec, que lançou, em Paris, “O Livro dos Espíritos” (1857) foram, como se vê, contemporâneos.

  

Não há nenhuma referência histórica de que tenham se conhecido.

  

Darwin, na Inglaterra, era filho de um médico anglicano, muito religioso, que o preparava para a carreira eclesiástica.

  

Contrariando-o, depois de algum tempo estudando para ser clérigo, ainda muito jovem, Charles dedicou-se à pesquisa científica que o faria famoso ao lançar sua tese sobre a evolução das espécies pela seleção natural.

  

Kardec, na França, pertencente a uma família de magistrados, tornou-se educador em Paris.

  

Passaria à história como fundador do espiritismo, uma ciência de consequências filosófico-morais, por ele definida como tendo por objetivo o estudo da “natureza, origem e destino do espírito e de suas relações com o mundo material”.

  

Charles Darwin sustentou que o homem e o macaco originam-se de uma mesma espécie que os antecedeu.

  

Allan Kardec apregoou que o espírito nasce simples e ignorante e evolui em conhecimento e moralidade, através das vidas sucessivas.

  

Com essas proposições, o naturalista inglês e o pedagogo francês desafiaram importantes dogmas do cristianismo e, cada um em sua área de pensamento, adotaram ambos o princípio comum do evolucionismo – biológico e espiritual -, incompatível com o criacionismo bíblico.

  

 

 A plena identidade entre espiritismo e evolucionismo


Lançado dois anos antes de A Origem das Espécies, em 18 de abril de 1857, O Livro dos Espíritos já expunha claramente alguns conceitos evolucionistas.
 
 
Sustentando que todos os espíritos são criados “simples e ignorantes”, a obra sistematizada por Kardec compara-os, na sua origem a “crianças ignorantes e sem experiência, só adquirindo pouco a pouco os conhecimentos que lhes faltam ao percorrerem as diferentes fases da vida” (q.115).
 
Uma frase dos espíritos entrevistados por Kardec, na questão 540, expressa magistralmente a síntese evolucionista da filosofia espírita:
 
 
“Tudo se encadeia na Natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo, que também já foi átomo”.
 

 

O presidente do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, Promotor de Justiça Rui Paulo Nazário de Oliveira, coordenador de um grupo de estudos que elegeu como assunto para o primeiro trimestre de 2009 “O Espiritismo e a Teoria Evolucionista de Darwin”, salienta que Kardec chegou ao evolucionismo adotando, inicialmente, a teoria da geração espontânea, ainda em voga em seu tempo, mas que “depois aderiu inteiramente ao evolucionismo proposto por Darwin em A Origem das Espécies”.

 
Sustenta Rui Nazário que “hoje se pode afirmar que há plena identidade entre a evolução darwiniana e os postulados da filosofia espírita”.
 
 
É no último de seus livros, “A Gênese” (1868), ano anterior à sua morte, que Kardec se detém mais sobre o tema, expondo princípios claramente evolucionistas:
 
“Por pouco que se observe a escala dos seres vivos do ponto de vista do organismo – escreveu - é-se forçado a reconhecer que desde o líquen até a árvore e desde o zoófito até o homem, há uma cadeia que se eleva gradativamente, sem solução de continuidade e cujos anéis todos têm um ponto de contato com o anel precedente”.
 
E conclui, mais adiante:
 
“Ainda que isso lhe fira o orgulho, tem o homem que se resignar a não ver no seu corpo material mais do que o último anel da animalidade na Terra.” (Cap.X – Gênese Orgânica).
Milton Medran Moreira – Jornal Opinião de abril/2009



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